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Procura por vice ideal mobiliza pré-candidatos rumo a 2022

Depois do trauma com Michel Temer em 2016, a busca se concentra em nomes que tenham perfil discreto, conversem com setores diferentes e, acima de tudo, não queira dar um "golpe"

23/11/2021 às 18h14 Atualizada em 23/11/2021 às 18h26
Por: Jornalista Adilson Oliveira Fonte: CB
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(crédito: Marcos Corrêa/PR)
(crédito: Marcos Corrêa/PR)

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menos de um ano das eleições, as conversas sobre a definição de vices de chapas na disputa à Presidência tira o sono dos pré-candidatos. Primeiro e segundo lugares nas pesquisas de intenção de voto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já disseram, meses atrás, que procuram alguém que não tenha pretensão de atrapalhar-lhes a vida.

E há razões de sobra para tal preocupação: na história da política brasileira, os vices, que teoricamente seriam personagens com estreito alinhamento com o chefe da Nação, assumiram protagonismo em vários momentos de crise institucional.

O petista vem dando a entender que pretende reeditar, para 2022, uma chapa semelhante à de 2002, tendo ao lado um nome de perfil mais conservador, de centro, com bom trânsito na direita e aceito pelo empresariado — 20 anos atrás, o nome que quebrou as resistências ao petista foi o do empresário do ramo têxtil José Alencar, seu vice por oito anos.

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Nas últimas semanas, o nome que tem sido ventilado é o de Geraldo Alckmin, ex-governador de São Paulo que foi candidato à Presidência pelo PSDB duas vezes. A desconfiança com o nome de Alckmin dividiu petistas e partidos que pretendem se aliar à candidatura de Lula. Isso se deve, principalmente, ao perfil do tucano e ao trauma com Michel Temer, que sucedeu Dilma Rousseff pós-impeachment.

O deputado Afonso Florence (PT-BA), vice-líder da oposição na Câmara, no entanto, garante que não há trauma no PT com relação à escolha de vice. O partido, segundo ele, ainda não sentou para definir qual será o nome porque é cedo, e diversos fatores devem ser pesados antes da escolha.

“Até agora, a movimentação de nomes que pode lançar pré-candidatos é em torno da cabeça de chapa, até porque a consolidação de federações ou candidaturas avulsas sem federação é quem vai dizer a possibilidade de vice”, pontuou. Florence afirmou que a tendência é que a escolha seja feita com base na afinidade ideológica.

Disse, ainda, que o partido não terá preconceito e que não importa se o nome virá da classe trabalhadora ou do empresariado. Já o deputado federal Israel Batista (PV-DF) crê que o impeachment de 2016 não deve alterar tanto a escolha do perfil para o vice. “O candidato a vice é alguém que complementa o candidato à Presidência. O que faz o vice almejar a cadeira presidencial pode ser uma dificuldade de relacionamento do presidente com o Congresso e a opinião pública. Um presidente que seja perito no diálogo não leva tanto em consideração essas questões, vai procurar alguém que tenha competência”, afirmou.

Para o cientista político André César, da Hold Assessoria, a aproximação de Lula e Alckmin é apenas teatro. “Essa conversa é útil a todos. Para o Lula, (é útil) porque ele realmente manda um recado para o eleitor mais moderado de que ele não é um extremista que vai rasgar dinheiro. Não creio que o Alckmin será vice do Lula. Mas ele se mostra para o eleitor mais à esquerda que ele negocia também, que ele dialoga. Os dois ganham”, disse.

Para Eduardo Grin, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), a citação de Alckmin por Lula “é um pacto de não agressão, na medida em que Alckmin deve ir para o PSD”. E acrescentou: “O (presidente do Senado) Rodrigo Pacheco está lá e Lula teria ele como vice. O senador seria um candidato muito importante para Lula porque, mais uma vez, (o ex-presidente) teria um vice de Minas, como foi José Alencar, um candidato moderado que sinalizaria que Lula está, em 2022, em uma versão similar à de 20 anos atrás”.

Compatibilidade

No caso de Bolsonaro, já ficou constatado que o vice-presidente Hamilton Mourão nem sempre rezou pela cartilha do presidente. Em vários momentos entrou em rota de colisão e, por causa desse não-alinhamento automático, os dois ficaram sem se falar algumas vezes. Daí porque, conforme informações de bastidores do governo, a tendência é de que Bolsonaro procure alguém de perfil discreto.

O presidente, aliás, já deu uma ideia do perfil que deseja para a composição da chapa à reeleição — “um cara que não tenha ambição pela cadeira (presidencial)”. Aliás, o chefe do Executivo chegou a dizer que a escolha de Mourão foi feita a “toque de caixa”, uma forma de menosprezá-lo em função das divergências entre eles. Bolsonaro, porém, faz movimentos lentos para 2022, apesar de estar bem perto do PL.

Dos nomes que se comentam para a hipótese de compor a chapa da reeleição, o do ministro-chefe da Casa Civil Ciro Nogueira é o que desponta. Já esteve na lista de apostas também a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, porém, um general alinhado com o presidente é hipótese que também é considerada.

Terceira via

Na terceira via, se são poucos os candidatos declarados — até agora apenas o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) explicitou o desejo de disputar o Planalto —, um nome desponta como um vice capaz de agregar apoios: o do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Ele viria com o peso de um partido, o União Brasil — nascido da fusão do DEM com o PSL —, que tem dinheiro em caixa e tempo de tevê.

Moro, por sinal, sinalizou que gosta da ideia de, eventualmente, ter o ex-colega de governo Bolsonaro numa chapa capaz de tirar votos suficientes para frustrar a reeleição do presidente.

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