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Trutis é acusado pela Procuradoria-Geral da República e pode virar réu por forjar atentado

Deputado federal foi denunciado por simular atentado e pode responder no STF por três crimes

05/10/2021 às 08h48 Atualizada em 05/10/2021 às 09h25
Por: Jornalista Adilson Oliveira Fonte: Estadão Conteúdo
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Loester Trutis (PSL), deputado federal eleito por MS. — Foto: Assessoria/Divulgação
Loester Trutis (PSL), deputado federal eleito por MS. — Foto: Assessoria/Divulgação

O deputado federal Loester Trutis (PSL-MS) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por forjar o próprio atentado, em 16 de fevereiro de 2020. Ele é acusado de comunicação falsa de crime, porte ilegal de arma e disparo de arma de fogo.  

Em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o vice-procurador-geral, Humberto Jacques de Medeiros, diz que “robustos elementos” contradizem a versão do parlamentar.

“Diversos laudos periciais, relatórios e informações policiais, além de oitivas, revelaram a real dinâmica dos fatos e refutaram a versão inicialmente apresentada pelos denunciados à Polícia Federal”, afirma a PGR.

Trutis, eleito em 2018 na onda bolsonarista, alega ter sido vítima de um ataque à bala em fevereiro do ano passado na rodovia BR-060, entre Sidrolândia (MS) e Campo Grande (MS), e atribui a emboscada a uma disputa política em Mato Grosso do Sul.

Na acusação, Humberto Jacques ainda chamou atenção para o uso político do episódio. 

“Considerando que o porte de arma é uma pauta política defendida intensamente pelo Deputado Loester Trutis; o Parlamentar, ao noticiar o episódio, atribui ao porte de arma a ausência de lesões e, até mesmo, o escape da morte”, destaca o vice-procurador.

Caberá à ministra Rosa Weber, relatora do caso no STF, decidir se aceita ou não a denúncia.

 

RELATÓRIO

 

Ao concluir a investigação, em maio, a Polícia Federal apresentou um relatório de 105 páginas em que rebate a versão do deputado e do assessor dele, Ciro Nogueira Fidelis. 

Os investigadores disseram que ambos prestaram informações falsas para tentar inviabilizar as apurações.

“Na verdade, as informações recebidas, constantemente, serviram somente para que fossem empreendidos esforços em diligências desnecessárias, tirando os investigadores do foco”, diz um trecho do documento. 

“As diligências que tomaram por base a versão trazida pelas supostas vítimas não eram corroboradas com nenhum dado, prova ou até mesmo indício e sempre levavam a investigação por caminhos que não traziam quaisquer resultados”, acrescenta a PF.

Ao cruzar imagens de câmeras de segurança instaladas no trajeto e dados do GPS do carro do deputado, a Polícia Federal concluiu que não havia nenhum veículo perseguindo ou monitorando Trutis. 

A versão dos investigadores é de que o parlamentar entrou em uma estrada secundária e atirou contra o próprio veículo.

“O veículo esteve parado no mesmo local por exatos 40 segundos, entre o horário das 05:29:02 às 05:29:42. E mais, por aproximadamente 24 segundos o automóvel esteve com a ignição desligada. Tempo suficiente para descer do veículo, efetuar vários disparos de arma de fogo e retomar para dentro do veículo”, afirma a PF.

“Ao que tudo indica, planejaram de madrugada o plano e pela manhã cedo foram executá-lo, sem antes ter estudado a localidade. Essa escolha ocorreu ali mesmo na rodovia BR-060". 

"É possível constatar pelos dados do rastreador veicular como o Toyota Corolla trafegou na rodovia, nos mais diversos sentidos em velocidades baixas, pois os atores da tragicomédia estavam procurando o lugar para encenarem a sua peça”, diz outro trecho do relatório.

 

OUTRO LADO

 

Loester Trutis comentou a acusação e disse ser vítima de um “refinado conluio de autoridades locais”, que, nas palavras dele, induziram a Procuradoria-Geral da República e a ministra Rosa Weber a erro. 

“Testemunhas essenciais não foram ouvidas e provas foram destruídas ou manipuladas, por exemplo o GPS do carro que eu ocupava, que foi formatado pela locadora. Ou mesmo o veículo alvejado, que não foi preservado pela polícia técnica, tendo sido devolvido à locadora, reformado e vendido". 

"Em ambos os casos me foi cerceada qualquer possibilidade de proceder perícia complementar e independente. Tudo isso foi feito com a autorização da Polícia Federal de Mato Grosso do Sul, um verdadeiro absurdo jurídico”, afirmou.

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