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Política CPI DA COVID

Hang nega à CPI da Covid que esteja envolvido com gabinete paralelo

A suspeita de que o empresário bancaria a disseminação de mentiras surgiu depois que veio à tona um diálogo entre o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o blogueiro Allan dos Santos, que pretendia contatar Hang para pedir-lhe que ajudasse financeiramente

30/09/2021 às 08h36 Atualizada em 30/09/2021 às 10h29
Por: Jornalista Adilson Oliveira Fonte: CB
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O empresário é suspeito de integrar grupo que assessorava presidente Bolsonaro nas questões referentes à pandemia - (crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
O empresário é suspeito de integrar grupo que assessorava presidente Bolsonaro nas questões referentes à pandemia - (crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O empresário Luciano Hang chegou para depôr na CPI da Covid, ontem, escoltado pela tropa de choque governista. Os senadores Marcos Rogério (DEM-RO), Luís Carlos Heinze (PP-RS) e Jorginho Melo (PL-SC) foram reforçados pela presença de Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e Marcos do Val (Podemos-ES), além da deputada Caroline de Toni (PSL-SC) e de outros deputados bolsonaristas que foram se revezando ao longo da sessão.

Mas, antes de se dirigir à comissão, Hang tomou café da manhã com o líder do governo na CPI, Ricardo Barros (PP-PR). E durante a sessão no Senado, o que se viu foi um bem ensaiado esquema de tentativa de irritar e provocar.

Além de Marcos Rogério, senador que reage prontamente quando as críticas a Jair Bolsonaro e ao governo se avolumam, o filho do presidente participou da sessão com o intuito apenas de desequilibrar o depoimento por meio de provocações. Seus comentários eram dirigidos principalmente ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), com quem quase trocou tapas em um dos primeiros depoimentos da comissão, o do ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wejngarten. Flavio reapareceu na CPI depois de 17 sessões ausente.

 

Fake News

 

No depoimento, Hang negou que tivesse conexões com o chamado “gabinete paralelo” da saúde — que teria aconselhado o presidente Jair Bolsonaro a adotar a tese da “imunidade de rebanho” e também de que os medicamentos do kit covid —; que tenha financiado sites disseminadores de desinformação; e que tenha financiado “impulsionamentos” de notícias falsas em redes sociais. A suspeita de que o empresário bancaria a disseminação de mentiras surgiu depois que veio à tona um diálogo entre o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o blogueiro Allan dos Santos, que pretendia contatar Hang para pedir-lhe que ajudasse financeiramente.O empresário confirmou que foi procurado pelo blogueiro bolsonarista, mas que muitos o procuram pedindo alguma espécie de ajuda. Conforme disse, submete a demanda ao departamento que cuida do assunto na sua empresa para, só então, decidir se auxilia.

Um vídeo que chamou a atenção e que reforçaria a ligação com o “gabinete paralelo” traz Hang ao lado do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), que ficou conhecido por errar todas as previsões que fez sobre a pandemia. Nele, ambos duvidavam da quantidade de mortos pelo novo coronavírus. Ao vê-lo, o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), reagiu irritado. “Isso é monstruoso! Você age monstruosamente, rapaz”, disse.

Indagado se em algum momento suas empresas receberam financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Hang tentou se esquivar. Mas, segundo o presidente da CPI, entre 1993 e 2014, o empresário fez 57 empréstimos junto à instituição.“A Dona Maria, lá do São José, bairro de Manaus, não consegue R$ 1 mil de crédito para comprar uma máquina de costura. Uma pessoa no Brasil que fatura R$ 30 milhões por dia consegue. Não vai passar por bonzinho aqui, não! Sabe o que ele faz? Ele tem condições de comprar diretamente a máquina da empresa, certo?, mas ele pega o financiamento”, irritou-se Aziz.

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