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Saúde SAÚDE

Campo Grande vira polo de desenvolvimento de pesquisa para a Covid-19

Pesquisa que injeta plasma de recuperados da doença em pacientes internados é uma delas

24/09/2020 09h02 Atualizada há 1 mês
Por: Jornalista Adilson Oliveira Fonte: Correio do Estado
A coleta das bolsas de plasmas de doadores que tiveram a Covid-19 foi realizada no Hemosul - Álvaro Rezende/Correio do Estado
A coleta das bolsas de plasmas de doadores que tiveram a Covid-19 foi realizada no Hemosul - Álvaro Rezende/Correio do Estado

Campo Grande tem se tornado um dos polos de desenvolvimento de pesquisas para tratamento do novo coronavírus, a Covid-19. Foi uma das cidades que participou do ensaio clínico Solidarity (Solidariedade), promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), também tem em desenvolvimento a pesquisa com o plasma de pessoas recuperadas da doença. Além disso, em desenvolvimento também há o estudo sobre a quantidade de pessoas com anticorpos para a doença, de acordo com testes feitos no Hemocentro da Capital.

Para os próximos meses, novas pesquisas também serão desenvolvidas na cidade, como a imunização de profissionais da saúde com a BCG e a possível parceria de outros imunizantes, desenvolvidos especificamente para tratar a Covid-19.

Na próxima semana, o grupo de pesquisadores responsáveis pela pesquisa com o imunizante fabricado pelo laboratório belga Jansen-Cilag – unidade farmacêutica da Johnson & Johnson – deve assinar convênio com o governo do Estado para a aplicação do tratamento. A vacina seria destinada também para profissionais de saúde.

Outra pesquisa desenvolvida na Capital pretende criar um aplicativo para analisar, através da tosse e dos sintomas informados pelo paciente, se a pessoa está ou não com Covid-19.

A ferramenta é feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Intel, que está desenvolvendo a inteligência artificial do aplicativo.

De acordo com o médico infectologista Julio Croda, pesquisador da entidade e professor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), 300 voluntários que tiveram a doença participaram do processo, sendo que 90% é de Campo Grande.

“O aplicativo pretende fazer o reconhecimento da tosse e de sintomas, a pessoa grava tosse e ele vai tentar predizer se ela está com Covid-19 ou não. Esperamos que daqui a duas semanas a gente já tenha os resultados se vai poder usar para diagnóstico presuntivo. Isso ajuda porque a pessoa que tem uma dúvida se tem ou não a doença pode saber se há probabilidade de ter ou não e ela pode já fazer o isolamento e procurar um exame para comprovar”, explicou Croda.

PLASMA

No caso da pesquisa que utiliza o plasma de pessoas que se recuperaram da Covid-19 para aplicá-lo em pacientes ainda internados, quatro pessoas já estão, há mais de um mês, recebendo o material que foi coletado no Centro de Hematologia e Hemoterapia de Mato Grosso do Sul (Hemosul).

Segundo Croda, outras 20 pessoas devem começar a receber o material nos próximos dias e a pesquisa deve atender até 30 pacientes. “Só pode receber o paciente que estiver internado na UTI, há menos de 3 dias, então é um grupo um pouco restrito. Ainda não dá para falar sobre resultados, porque além de Campo Grande há outros locais participando da pesquisa”. Os infectados que recebem o tratamento alternativo está todos no Hospital Regional.

Para a coordenadora geral do Hemocentro do Estado, Marli Vavas, foi “gratificante” participar da pesquisa. “É muito bom fazer parte disso, um tratamento para uma doença que se conhece muito pouco. Nós aqui no Hemosul já ajudamos tanta gente com a coleta de sangue e é gratificante poder ajudar também com essa doença”.

Conforme Vavas, na quarta-feira (23) a UFMS informou ao Hemosul que a pesquisa já havia coletado o número de bolsas de plasma necessário para o tratamento. As coletas começaram em julho e nesses dois meses foram doadas 120 bolsas.

OUTRAS PESQUISAS

Ainda no Hemosul, outra pesquisa mede como está a prevalência da doença. Em toda segunda semana do mês as doações feitas nesse período são analisadas para descobrir a porcentagem de pessoas que tem anticorpos para a Covid-19 na Capital.  

Na última análise divulgada, de agosto, a porcentagem era de 7%, o que pode significar que 7% da população de Campo Grande tenha contraído a doença, já que a pesquisa é feita de forma aleatória, com doadores de sangue.

No caso do estudo envolvendo o imunizante para a tuberculose, a vacina BCG, a aplicação nos voluntários deve começar em outubro. Segundo o infectologista, o único detalhe para o início da pesquisa é a chegada das doses, que vem de um lote específico desenvolvido na Dinamarca.

Serão 2 mil voluntários em Campo Grande, focado em profissionais da saúde de todas as áreas, que serão monitorados durante um ano após a aplicação do imunizante.

A Capital ainda teve 80 pessoas que precisaram ser internadas por causa do novo coronavírus participando da pesquisa, desenvolvida pela OMS. No início os estudos pretendiam investigar a eficácia de quatro medicamentos: a cloroquina (usada para a malária); o lopinavir e o ritonavir (ambos utilizados para tratamento de HIV); e o remdesivir (usado para o Ebola).

No entanto, o uso dos três primeiros foram suspensos e apenas o remdesivir continuou sendo aplicado. Os outros medicamentos não tiveram eficácia para o tratamento da Covid-19. A pesquisa, no entanto, já foi encerrada.

“De alguma forma uma parcela da população vai ter acesso a essas vacinas e isso importante, a oferta desses possíveis tratamentos. Assim como a oferta para a equipe de pesquisa local. Tem a questão do estudo de universidade, o que dá repercussão internacional, então é muito vantajoso termos esses estudos sendo desenvolvidos”, avaliou Croda.

 

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